segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Gastronomia uma viagem pelos sabores do mundo

As viagens através da gastronomia sela a relação com as viagens ao longo do século XX, a medida em que  o hábito de viajar incorporava-se ao período de descanso. As férias e os meios de transporte mais eficientes fizeram com que os deslocamentos se tornassem comuns, resultando em um intenso fluxo de pessoas, circulando de um lado a outro, em todo o mundo.

Com isso, o contato com novas paisagens, aventuras, desventuras,  culturas e sabores desperta interesses variados em torno do evento turístico, e é  assim que a gastronomia ganha lugar, sobretudo ao atrair um segmento de viajantes interessados em estimular seus sentidos através da experimentação da cozinha do Outro.

Pratos, ingredientes, comprar produtos, levá-los para casa... No retorno, a memória é cultivada em torno de imagens e sabores, preferencialmente compartilhados entre familiares e amigos, ressaltando a abertura ao novo e o contraste entre as práticas corriqueiras e aquelas até então desconhecidas, encontradas na viagem. Esse exercício pode ser entendido como uma espécie de manejo estético de códigos culturais, que mostra os limites entre nós e os outros, mas da forma habilidosa que é proporcionada pela comida.

Comida costumeira.

Com a multiplicação de destinos e opções, cresceu a importância de guias e roteiros de viagem. Segundo critérios bem variáveis, eles avaliam, analisam e recomendam passeios, nos mais diversos lugares do planeta, alimentando e sendo alimentados pelas novas imagens da gastronomia. Um exemplo evidente é o Guide Michelin, que, editado desde 1901, a partir dos anos 30 apresenta um formato próximo ao atual, oferecendo um repertório amplo de especialidades culinárias, monumentos e paisagens naturais como elementos determinantes da experiência turística.   turismo-gastronomico

Essa perspectiva acerta em cheio o imaginário dos habitantes urbanos, que desejam buscar uma realidade distinta de seu cotidiano. O campo adquire, então, um novo sentido: de rústico passa a romântico, tradicional, verdadeiro. Segundo Csergo (1998), a cozinha regional se difunde ao incorporar e construir uma percepção calcada no terroir, o espaço como definidor de identidade e qualidade à mesa. Não são poucas as regiões que se tornaram mundialmente reconhecidas a partir dessa perspectiva, como é o caso das regiões francesas da Borgonha e da Provença ou, na Itália, a Toscana e a Sicília.

Cozinhas regionais sempre existiram, mas algo mudou em sua interpretação. O deslocamento até a região, degustar in loco a comida de lá é parte dessa nova experiência. Ao voltar para a cidade, também é possível degustar os novos sabores, que podem ser preparados em casa ou consumidos nos restaurantes, embora o descolamento entre espaço e comida diminua a percepção de autenticidade. Território e especificidade culinária passam a dominar a idéia de cozinha regional e se transformam em estímulo aos viajantes, que saem da cidade em busca da verdadeira comida.

Quando se viaja pelo interior de Goiás tem-se a nítida impressão das influencias Portuguesas, na culinária ou mesmo nos casarios. No caso de Goiás em Especial, na Cidade de Goiás, hoje patrimônio da humanidade e a cidade de Pirenópolis, configuram muito essa cozinha regional de que tanto se falam. É interessante como as peculiaridades se confundem. Nisso temos que a região é tanto produto da natureza como da cultura, e um poderoso meio de pensar quem somos.Resultados da Pesquisa de imagens do Google para http---wikitravel.org-upload-shared-d-d9-Cidade_de_goias.jpg

Hoje as doceiras de Goiás são patrimônio da Humanidade e posso dizer com toda a certeza de que faço parte do círculo de amizade delas, em especial Maria Martins,http://cidadeshistoricasgoias.com.br/cidadedegoias/turismo/gastronomia/doceiras/doceira-maria-martins/,  minha amiga e ex-aluna no Curso do CEP.