quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Saudades

MEUS OITO ANOS

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!
Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus
— Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar; SAUDADE
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
................................
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

sábado, 19 de janeiro de 2013

para pensarmos um pouco

Lembro-me dos meus pais em algumas poucas ocasiões, sentados juntinhos, rezando, na madrugada, na sala de estar iluminada apenas por velas.
Eu perguntava do que se tratava, e eles respondiam: é uma vigília, filho. Mais tarde você vai entender. Agora vá dormir.
O tempo passou e eu compreendi melhor.
E quanto mais o tempo passou, mais vigílias eu fiz.
Também à luz de velas. Também orando contra as mazelas.
E elas nunca acabam... por mais que se faça, elas nos visitam
Sem convite, sem motivo, sem pudor
Invadindo sonhos e bons momentos
Tentando convencer de que a vida não passa
de um amontoado de fragmentos...
E essa avalanche negativa empurra para baixo
Esfolando e sangrando a vontade de viver...
Quase até esgotá-la
Quase,
Lembro-me de ter admirado as qualidades dos meus pais, sentados juntinhos, em qualquer hora do dia, iluminados pelo Bem
e eu nem precisava perguntar do que se tratava. Era uma vigília, uma de tantas.
O tempo passou e eu passei a fazer vigílias também pela felicidade
Sem convite, sem pudor e com diversos motivos
Preenchendo sonhos e momentos
Até porque a vida é um conjunto de cores e fragmentos
empurrando o viver para cima
curando e justificando a existência
Até esgota-la, se isso fosse possível...
Não existe um quase
O todo é tudo.

JAW

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

sábado, 5 de janeiro de 2013

feijoada