sábado, 19 de janeiro de 2013

para pensarmos um pouco

Lembro-me dos meus pais em algumas poucas ocasiões, sentados juntinhos, rezando, na madrugada, na sala de estar iluminada apenas por velas.
Eu perguntava do que se tratava, e eles respondiam: é uma vigília, filho. Mais tarde você vai entender. Agora vá dormir.
O tempo passou e eu compreendi melhor.
E quanto mais o tempo passou, mais vigílias eu fiz.
Também à luz de velas. Também orando contra as mazelas.
E elas nunca acabam... por mais que se faça, elas nos visitam
Sem convite, sem motivo, sem pudor
Invadindo sonhos e bons momentos
Tentando convencer de que a vida não passa
de um amontoado de fragmentos...
E essa avalanche negativa empurra para baixo
Esfolando e sangrando a vontade de viver...
Quase até esgotá-la
Quase,
Lembro-me de ter admirado as qualidades dos meus pais, sentados juntinhos, em qualquer hora do dia, iluminados pelo Bem
e eu nem precisava perguntar do que se tratava. Era uma vigília, uma de tantas.
O tempo passou e eu passei a fazer vigílias também pela felicidade
Sem convite, sem pudor e com diversos motivos
Preenchendo sonhos e momentos
Até porque a vida é um conjunto de cores e fragmentos
empurrando o viver para cima
curando e justificando a existência
Até esgota-la, se isso fosse possível...
Não existe um quase
O todo é tudo.

JAW