domingo, 24 de fevereiro de 2013

Equilíbrio

 

Nietzsche disse que a existência humana é uma corda estendida entre o primitivismo e a plenitude.

Também penso assim.

Somos equilibristas. Em nossa alma ressoa um chamado à travessia. A corda não se eleva muito acima do chão. Abaixo, há um lodaçal.

Alguns se conformam com a queda e, feito porcos, chafurdam, e ainda se recreiam na lama, e vivem como se nada mais houvesse de possibilidade. Tornados cínicos por sua descrença íntima e secreta, são estes os que vivem a se revolver em fofocas, deslealdades, falcatruas, até mesmo crimes e todo tipo de corrupção. Entretanto, por dentro, amargam a humilhação da sujeira e o desespero pela falta de perspectiva de seu próprio espírito.

Outros teimam em se reerguer cada vez que caem. Insistem no aprendizado do equilíbrio. Em momento algum se contentam em permanecer onde estão. Avançam. Pé ante pé. Mas avançam. Sentem que a vida só terá valor se puderem ir além.

Os que fazem a travessia são os que de fato transformam a realidade. O seu singelo espetáculo demonstra a grandeza humana. Revela do que somos capazes. E impressiona. A tal ponto que influencia mudanças. Estes tornam o mundo um lugar novo, para si e para todos. Um lugar que, de alguma forma, jamais será o mesmo após a sua passagem. Marco André Regis