domingo, 8 de setembro de 2013

O que temos para hoje?

A frase 'é o que temos pra hoje' é muito boa. Ela nos propõe um dos exercícios mais necessários e difíceis do mundo, a aceitação.

O mundo não é como você deseja, nem como eu gostaria, nem como ninguém quer. O mundo é do jeito que ele é mesmo. As coisas vão acontecendo, nos levando, nos envolvendo. Claro que o livre arbítrio existe, mas numa proporção pequena. O raio de ação dos nossos desejos é mínimo. Nós é que temos que encontrar as brechas para ampliá-lo. Ou não.

E o que temos pra hoje? Olhando os sites de notícias vemos que na Internet, o que as pessoas mais procuram é a vida alheia. O que temos pra hoje é fofoca de celebridade. Sei que sempre foi assim e que talvez seja sempre seja. Sei também que toda santa vez que menciono que o brasileiro, o português, o latino de uma forma geral gosta de uma fofoca da vida do outro, alguém se sente ofendido e, em defesa, alega que os tabloides ingleses (e alemães e outros) provam que o interesse é mundial. Ok, mundial então.

E qual é o problema do ser humano se interessar pela vida do outro? Não é assim que aprendemos, que nos conhecemos? Sim, é. Mas isso não é suficiente. Ficar o tempo todo lendo e se interessando por fofoca não é crime, pra começar. Só não é saudável. Exatamente como acontece na alimentação. Se você, uma criança, um adolescente passar o dia comendo salgadinho de pacote, fritura, doces, ele não vai morrer imediatamente. Mas talvez morra mais cedo e, certamente vai comprometer a qualidade da sua vida. Continuando na analogia, o conhecimento seria o grupo das verduras e legumes. E a arte, as frutas.

Para ter uma vida mental saudável, equilibrada, é preciso consumir conhecimento. Ler, aprender. E consumir arte. Não sei se no mundo todo é assim, mas pelo que vejo na Internet brasileira o grande consumo é de bobagem. Bobagem, no sentido mais profundo. Não é passatempo com algum proveito, é só passatempo. Não é um sudoku, palavras cruzadas, jogos de estratégia, que podem prover algum exercício para o cérebro humano. É só tosqueira.

A tosqueria existe e é divertida. Eu também consumo. Aliás, eu também deveria consumir mais coisas saudáveis num sentido mais amplo.

Só acho que poderíamos dosar as coisas um pouco mais. Pra cada notícia de fofoca, uma de política internacional (já tem gente fazendo cara feia como se eu estivesse propondo comer jiló). Pra casa vídeo tosco, um clip de boa música. Pra cada hora sentada na frente do computador, dez minutos de exercícios físicos ou alongamento.

É difícil? É. A gente está viciado em porcaria? Está. Isso pode nos levar mais cedo pro além?  Pode.

Posto isso, a decisão está em nossas mãos. Cabe a você decidir onde clicar assim que terminar esse texto. Ou pra onde ir. Ou o que fazer da vida.

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